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	<title>Juntos! Direto do Chile</title>
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		<title>Hasta la Vitoria!</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Aug 2011 12:36:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nathalie Drumond</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ontem foi um dia muito importante para os chilenos. Em todo o país ocorreu a maior marcha em 30 anos, desde a queda da ditadura de Pinochet. Aqui em Santiago se quer pude chegar ao ponto de concentração. Era impossível &#8230; <a href="http://diretodochile.juntos.org.br/hasta-la-vitoria/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/chile-25-de-agosto-2011.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-87" title="chile-25-de-agosto-2011" src="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/chile-25-de-agosto-2011.jpg" alt="" width="338" height="226" /></a></p>
<p>Ontem foi um dia muito importante para os chilenos. Em todo o país ocorreu a maior marcha em 30 anos, desde a queda da ditadura de Pinochet. Aqui em Santiago se quer pude chegar ao ponto de concentração. Era impossível superar a quantidade de pessoas que ocupava as principais ruas da capital. Assim, era também difícil calcular o total de indignados reunidos. Porque uma única rua era insuficiente para todo mundo. Ocupávamos as vias principais, suas travessas, as avenidas paralelas.</p>
<p>O governo de Piñera proibiu que a marcha seguisse pela Alameda Libertador O´Higgins, a principal de Santiago e onde se localiza o Palácio da La Moneda. Mas quem disse que o governo tem alguma autoridade por aqui? As pessoas ignoraram a &#8220;recomendação&#8221; e fizeram quase toda a marcha por ai. Não houve repressão. Apenas em pequenos ponto isolados. Provavelmente porque o governo percebeu que reprimir um número tão alto de pessoas significaria entregar numa bandeja a cabeça de Piñera.</p>
<p>As pessoas foram às ruas com toda forma de expressão. Eram grupos de teatro, bandas de todo o tipo de música, artistas de circo, gente lutando artes marciais. Sempre topávamos com alguma encenação e muita gente assistindo. Toda a forma de manifestação era válida. Os pais levavam seus filhos fantasiados. Os velhinhos que não puderam estar na marcha de suas janelas sinalizavam sua solidariedade, tocando panelas, flamulando bandeiras, apenas acenando. Os carros buzinavam. Era tão explícito que a forma mais correta de se manisfestar era tomando as ruas de alguma forma que todos fizeram isso.</p>
<p>A paralisação do dia 25 de agosto com certeza reuniu milhões. O governo disse que eram apenas 50 mil. Este devia ser o número de reunidos apenas nos arredores do La Moneda. Mas mesmo que fossem 50 mil, o que se passa para que este número enorme de pessoas esteja tomando às ruas em plena quinta-feira, presidente?</p>
<p>Bom, o Chile vive uma ebulição social. O desgaste do governo e de Piñera é irreversível. A consciência política e o nível de participação do povo também. O país vivencia uma crise que coloca em xeque o modelo de país construído na transição da ditadura militar. Todos começam a perceber que caiu a ditadura, mas o sistema político e econômico manteve o seu sentido geral. Não é a toa que os chilenos identificam o atual governo com o próprio Pinochet. É preciso conquistar no Chile mudanças profundas,  que possibilitem a participação política efetiva, um modelo econômico capaz de solucionar os principais problemas do povo, um sistema educacional gratuito e de qualidade, entre tantas outras coisas.</p>
<p>A geração de jovens que hoje protagoniza uma das maiores lutas da história do Chile passar a ter muitas responsabilidades. Fico feliz, porque são jovens cheios determinação política. Puderam experimentar o neoliberalismo como modelo de sociedade e perceberam que é um modelo falido, incapaz de resolver os principais anseios da maioria da população. Esta geração ainda não tem respostas sobre o que possa vir, mas está disposta a ser parte ativa da luta anticapitalista que se manifesta em muitas parte do mundo hoje. E através dessa prática construir algo novo, sobre novas bases, um mundo “<em>onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres</em>”, como diria Rosa Luxemburgo.</p>
<p>Este é o último post da estada no Chile. Eu retorno ao Brasil, mas a luta por aquí continuará com muita força. E como eu sou também parte desta nova geração, não poderia abrir mão de minha responsabilidade. Volto ao Brasil com a memória viva e esperança intacta. Para construir com muitos jovens este novo futuro. Acredito na rebeldia e capacidade de luta da juventude brasileira e como os chilenos também marcaremos uma nova página em nossa história.</p>
<p>Hasta la Vitoria!<br />
Thalie</p>
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		<title>Há milhões tomando as ruas de Santiago, hoje o Chile não vai dormir!</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 11:22:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nathalie Drumond</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Vamos compañeros, hay que poner un poco màs de empeño,salimos a la calle nuevamente,la educacion chilena no se vende, se defiende!” Tentei por duas vezes escrever esta breve nota. Mas, há poucas horas fui interrompida duas vezes por enormes cacerolazos &#8230; <a href="http://diretodochile.juntos.org.br/ha-milhoes-tomando-as-ruas-de-santiago-hoje-o-chile-nao-vai-dormir/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div id="yui_3_2_0_5_1314274351319111" style="text-align: right;">
<p align="right"><em><a href="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/chile.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-83" title="chile" src="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/chile.jpg" alt="" width="320" height="240" /></a>“Vamos compañeros, hay que poner un poco màs de empeño,</em><em>salimos a la calle nuevamente,</em><em>la educacion chilena no se vende, se defiende!”</em></p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Tentei por duas vezes escrever esta breve nota. Mas, há poucas horas fui interrompida duas vezes por enormes cacerolazos que aconteciam bem em frente à casa onde estou hospedada. Sem pestanejar, fui me juntar a eles. Cerca de uma hora depois, o cacerolazo ainda continua e passo a escrever o relato das últimas 24 horas sem poder ouvir direito o bater das teclas do computador. Enfim, melhor assim.</p>
<p style="text-align: left;">Bom, hoje o dia foi repleto de atividades. Afinal, era o primeiro dia da grande paralisação nacional. Por todos os lado se podia ver algum tipo de ação política. Andando pelo metrô, a cada estação era possível reconhecer ao fundo a gente batendo suas panelas.</p>
<p style="text-align: left;">Todos comentavam o grande dia. Um homem ao meu lado, vestido como um alto executivo, respondia a alguém no celular “não, eles estam lutando por uma nova constituição e novas leis trabalhistas, é muito justo!”. Provavelmente devia estar tentando convencer um de seus pares a não se colocar contra aqueles que estão mudando por completo a situação de seu país.  O que importa é que hoje foi uma grande demonstração da capacidade que o povo tem de mudar radicalmente seu destino. Aos céticos, hoje Santiago do Chile realmente parou. E não era feriado, data festiva ou mesmo a Copa do Mundo. O dia 24 de agosto de 2011 foi o dia – e falar isso explcitamente deve incomodar alguns – em que estudantes e trabalhadores assumiram o comando do país. Pelo menos por 48 horas, mas com certeza os passos dados até aqui não serão destruídos facilmente.</p>
<p style="text-align: left;">Ao longo de todo o dia estive na comuna de Puente Alto, estava marcada para às 9h uma marcha numa das principais estações da região. Eu cheguei às 9h06` e já tinham mais de mil pessoas na concentração. Uma hora depois seguramente éramos mais de 10 mil. Setenta por cento destes eram estudantes secundários. Neste dia não deve ter ficado nenhuma criança dormindo, porque a avenida Vicuña Mackena se transformou num mar de Pinguins. Cada escola com sua banda, cada tico sua forma de se expressar. Eram gritos de guerra, fantasias, apito e correria. Marchamos três estações e a cada esquina juntavam-se a nós novas colunas de estudantes, de sindicatos e comerciantes que paravam seu trabalho para unirem-se à marcha.</p>
<p style="text-align: left;">A marcha foi extensa. Ao longo dela víamos donas de casa, deficientes físicos, abuelistas, malabaristas, trabalhadores da construção civil, metroviários, professores e muitos estudantes. Marchávamos todos juntos, em seus blocos, misturando-se às vezes entre si, em cirandas, num grande mar de gente. Num daquelas exaltações de massa que reafirmam a crença de militantes experimentados num futuro diferente. É possível e está começando aqui e agora, pensávamos!</p>
<p style="text-align: left;">Chegamos à Praza de Puente Alto com a sensação de grande feito. Mais que isso, se havíamos chegado até aqui era possível fazer muito mais. Sabíamos que em todas as outras comunas algo semelhante ocorria. E nos sobrava vontade e determinação política.</p>
<p style="text-align: left;">Infelizmente a polícia pinochetista quis impor-nos limites. Tentaram encuralar mais de dez mil pessoas numa pequena praça. Não deu. Em seguida, quiseram dispersar-nos com água tóxica e gás lacrimogêneo. Mas as pessoas voltavam a se reunir na praça. Então, só lhes restava prender-nos.</p>
<p style="text-align: left;">Os Carabineros, los pacos hijos de Pinochet, saíram à caça. Pegavam qualquer um pelo caminho. Como zombies babando atrás de sangue novo. Corríamos para ajudar uns aos outros. Numa rua distante, sacaram um dos nossos. Nos debatíamos para tentar soltá-lo, impossível. Sabíamos que naquele momento não dava para fazer muita coisa. Esperamos certo tempo para as coisas alcamarem. Retornávamos caminhando para nos reunir com algumas dezenas que aguardavam a libertação de seus conhecidos  na delegacia da região. No meio da rua apareceu surpreendemente um caminhão cheio de pacos. Naquele momento éramos apenas seis. Começaram a prender um por um. Fazíamos o que podíamos para nos soltar. Uma gente que estava pela rua bem que tentou nos ajudar. Inesperadamente, um dos pacos começou a gritar <em>“vocês estão prendendo pessoas que caminham pela rua, não se pode fazer isso, não façam isso!”</em>. Sabe-se lá de onde surgiu aquele paco, não quisemos saber. Corremos e nos protegemos numa das escolas ocupadas.</p>
<p style="text-align: left;">Até o momento muitos seguem presos. Mas há milhões tomando as ruas de Santiago. Hoje o Chile não vai dormir, há muita coisa para se fazer ainda. E apenas se passaram 24 horas. O dia 25 nos espera.</p>
<p style="text-align: left;">Suerte e até amanhã. Viva a luta do povo chileno!</p>
<p style="text-align: left;">Thalie</p>
</div>
</div>
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		<title>América Insurrecta: o Chile está preparando uma das maiores mobilizações de sua história recente</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Aug 2011 14:57:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nathalie Drumond</dc:creator>
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		<description><![CDATA[America Insurrecta Patria, naciste de los leñadores, de hijos sin bautizar, de carpinteros, de los que dieron como un ave extraña una gota de sangre voladora, y hoy nacerás de nuevo duramente desde donde el traidor y el carcelero te creen para siempre sumergida. Hoy nacerás &#8230; <a href="http://diretodochile.juntos.org.br/america-insurrecta-o-chile-esta-preparando-uma-das-maiores-mobilizacoes-de-sua-historia-recente/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><a href="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/protestas_chile-320x2002.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-67" title="protestas_chile-320x2002" src="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/protestas_chile-320x2002.jpg" alt="" width="301" height="200" /></a>America Insurrecta</strong></p>
<p style="text-align: right;">Patria, naciste de los leñadores, de hijos sin bautizar, de carpinteros, de los que dieron como un ave extraña una gota de sangre voladora, y hoy nacerás de nuevo duramente desde donde el traidor y el carcelero te creen para siempre sumergida. Hoy nacerás del pueblo como entonces.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Pablo Neruda</strong></p>
<p style="text-align: left;">A segunda-feira, após a marcha que reuniu quase um milhão em Santiago, foi marcada por atividades preparativas para a paralisação dos dias 24 e 25. Pela manhã pude acompanhar parte desses preparativos na Universidade Alberto Hurtado, uma das principais e maiores universidades particulares em Santiago. Por lá ocorriam ao mesmo tempo as eleições para os centros acadêmicos, um ato em defesa dos alunos expulsos pela Reitoria por conta da greve e uma reunião de coletivos estudantis para debater as atividades dos dias 24 e 25. Para vocês verem o grau de atividade política entre os estudantes chilenos.</p>
<p>Pouco antes de partir da UAH rumo a uma escola ocupada, os estudantes que ali manifestavam souberam que havia um ato parecido numa universidade poucas quadras abaixo. Assim decidiram juntar as duas colunas e tomar a rua que ligava ambas as universidades. Os dois blocos caminhavam um em direção ao outro, cantando palavras de ordem de solidariedade. Era bonito de se ver cerca de 300 estudantes protestando em plena manhã de segunda-feira. Rapidamente chegaram os Carabineros, a polícia chilena, mais conhecida como pacos. Os pacos lançavam a maldita água tóxica contra os estudantes e muito gás lacrimogênio, em pouco tempo a manifestação dispersou e os alunos voltaram para as atividades em suas universidades. Com certeza, com ainda mais ânimo para construir uma das maiores mobilizações da história recente do Chile. E não há água tóxica que destrua tal disposição.</p>
<p>Caminhei em direção ao metrô para ir encontrar outros companheiros que estavam reunidos numa escola ocupada em Puente Alto. Mas é óbvio que antes de chegar me deparei com outra atividade política. Centenas de trabalhadores estavam reunidos em assembléia em frente ao Banco do Chile, segundo maior banco deste país. Os bancários também estão em greve por melhores salários. E sobre o enorme prédio público caia uma faixa com os dizeres: <em>os banqueiros não pagam nossos direitos e extorquem nosso pequeno salário nas escolas de nossos filhos.</em> O fato é que no Chile os grandes banqueiros também são os maiores acionistas dos grupos que administram as escolas privadas chilenas. Efetivamente a educação é um grande negócio por aqui. Como alguns adorariam poder dizer no Brasil, viva a luta dos trabalhadores e estudantes!</p>
<p>Bom, na escola ocupada, antes de entrar tive que responder algumas perguntas a uma patrulha de niños. Sim, queriam saber se não estava ali a serviço dos pacos. Como alguns companheiros lá dentro me conheciam, não foi tão difícil entrar. Lá dentro estava armado um verdadeiro operativo de guerrilha. As carteiras haviam sido colocadas nas grades que cercavam a escola de modo que as pernas de metal ficavam expostas para fora como lanças. Dentro erguiam um grande paredão de madeira. Era tudo bastante organizado, rotas de fuga, barricadas nas principais entradas, etc. Tudo para que  polícia tivesse mais dificuldade para entrar e desocupar a escola, o que não era impossível, nem incomum. Os tiquitos estavam reunidos &#8211; eram uns 80 &#8211; juntos com alguns pais, moradores de Puente Alto e representantes de algumas organizações (sindicatos, juntas de vizinhos, grupos políticos) para organizar o 24 e 25. Daquela reunião foram organiizados festivais de cultura, um panelaço e uma grande marcha no dia 24, dia no qual estão previstas atividades por comunas. No dia 25, a população se concentrará para ir em bloco à marcha unificada no centro da cidade. Espera-se para este bloco 20 mil pessoas!</p>
<p>Bom, toda a discussão foi apimentada por falas emocionadas em defesa da educação, da luta em unidade entre trabalhadores e estudantes e em defesa do poder popular. Em ato simbólico em uma destas noites, claro que não posso contar qual, serão erguidas barricadas entorno de toda a comuna, com isso pretende-se sinalizar a Piñera e à polícia que Puente Alto está sob controle do povo.</p>
<p>E como o poder popular neste momento no Chile não é apenas uma questão de retórica e simbologismos, antes de terminar a reunião decidiu-se retomar três escolas desocupadas recentemente pela polícia. Sob o comando de jovens de 14 e 15 anos marchamos todos juntos em direção aos colégios. Se em algum momento passou pela minha cabeça imagens de uma possível revolução democrática no século XXI em nosso continente, com certeza não era nada diferente daquilo que pude vivenciar ontem. O Chile está em ebulição, o povo está nas ruas. Ao passo em que se tenta derrubar a política pinochetista que dirige o país pelas mãos de Piñera, com certeza se forjam novas formas de se fazer política, um tipo diferente que emana dos bairros, das escolas, das universidades, dos locais de trabalho e tem contaminado a todos. Aqui em Santiago os de baixo estão em intensa atividade, espero que os de cima não possam se manter por muito tempo.</p>
<p>Saudações revolucionárias, porque a mudança radical de nossa sociedade hoje é mais que uma necessidade, está se tornando uma possibilidade.</p>
<p>Thalie</p>
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		<title>Os estudantes contam com o apoio de toda a população</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 00:05:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nathalie Drumond</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Neste fim de semana vivenciei duas experiências muito diferentes, mas igualmente importantes para compreender a situação que vive o Chile. Sábado à tarde fui visitar uma pequena comuna, lembre-se que este nome é sinônimo de bairro, distante do centro de &#8230; <a href="http://diretodochile.juntos.org.br/os-estudantes-contam-com-o-apoio-de-toda-a-populacao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Neste fim de semana vivenciei duas experiências muito diferentes, mas igualmente importantes para compreender a situação que vive o Chile. Sábado à tarde fui visitar uma pequena comuna, lembre-se que este nome é sinônimo de bairro, distante do centro de Santiago, a mil metros sobre a Cordilheira dos Andes. Era aniversário de uma companheira e tiramos parte do dia para comemorá-lo. Para mim era uma oportunidade de conhecer algo diferente de reuniões, marchas, assembléias e atos.</p>
<p>Ao longo do caminho de quase duas horas, passamos por regiões diferentes de Santiago. Mas ao longo de todas elas haviam faixas, cartazes e bandeiras pendurados nas casas com dizeres relacionados a questão educacional ou algum tema político. Era muito comum haver faixas de pais se solidarizando com seus filhos, como por exemplo “nesta casa todos estão como nossos filhos na defesa da educação”. Este tipo de demonstração pública era algo generalizado.</p>
<p>Ao longo do caminho também víamos muitas escolas ocupadas. Era impressionante. Nas portas eram colocadas barricadas de carteiras para limitar o acesso. Barracas estavam armadas sinalizando que havia gente vivendo ali o tempo todo. E desde o telhado caíam faixas e bandeiras com os dizeres “colégio en toma!”. Muitos equipamentos de educação no Chile estão ocupados, desde universidades, a insitutos de línguas ou escolas.</p>
<p>Em Cajon Del Maipo, além da Cordilheira belíssima repleta de neve, havia muitas pichações em defesa da educação pública e gratuita. Mas me deparei com uma coisa chocante. Meninas muito jovens, pelo menos uma dupla por esquina, caminhavam com uma faixa pedindo ajuda. Ela pediam alguma quantia em dinheiro para comprar um soro aparentemente muito caro. Este soro serviria para socorrer uma amiga delas que estava em greve de fome há três meses por conta da luta dos estudantes. Os médicos haviam dado cerca de três dias de vida para a menina caso ela não tomasse tal soro. E para aqueles que se recusavam a ajudar, as meninas bradavam “nem mesmo com crianças morrendo vocês se importam com a educação em nosso país?”.</p>
<p>Isso me chocou, porque estávamos diante de uma situação limite, onde crianças arriscam literalmente suas vidas por uma causa. A greve de fome não é uma iniciativa isolada no país, há muitas crianças de diversas escolas que estão nesta situação.</p>
<p>Neste momento passei a me perguntar com maior força “o que se passa com esse país?”.</p>
<p>Hoje pela manhã dei mais um passo para responder esta pergunta. Fui à Marcha da Família. A semelhança com qualquer atividade brasileira está apenas no nome. Foi uma marcha convocada pelos sindicatos e organizações populares para reunir todos em defesa da educação. Por conta do trabalho ou ocupações diárias muitas pessoas não podem participar dos atos ao longo da semana. Portanto, neste domingo milhares de pessoas sairam de seus bairros rumo ao parque central da cidade para manifestar-se. Aos paulistas, imaginem muitíssimas pessoas marchando em grandes colunas desde cada bairro rumo ao Ibirapuera. Pois é, a situação era mais ou menos assim.</p>
<p>Ao Parque O`Higgins chegavam muitas caravanas portando faixas, bairro tal em defesa da educação gratuita, sindicato tal com a luta dos estudantes em defesa do direito dos trabalhadores, assim em diante. Por volta do meio dia havia mais de 200 mil pessoas cantando <em>y va a caer, y va a caer la educación de Pinochet</em>. Era arrepiante. Ali percebi que os estudantes são a linha de frente da luta contra a política educacional de Piñera, mas este é o sentimento de toda a sociedade.</p>
<p>A questão educacional é a ponta do iceberg e sua grave situação favoreceu para que todos se colocassem em luta contra o atual modelo de educação. Mas pouco a pouco muitos se somam a ela com suas próprias pautas. Trabalhadores por melhores salários, ambientalistas em defesa da Patagônia, grupos de direitos humanos contra a exploração infantil. Mas todos têm um ponto em comum, não aguentam mais este sistema político-econômico falido e seus representantes, como o próprio Piñera.</p>
<p>A consciência política neste momento é elevadísima e a maioria está disposta a romper seus próprios limites para mudar esta sociedade.<a href="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/protestas-en-chile-de-estudiantes_note_principal.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-60" title="protestas-en-chile-de-estudiantes_note_principal" src="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/protestas-en-chile-de-estudiantes_note_principal-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a>Hoje finalmente a CUT (Central Única dos Trabalhadores do Chile) e a CONFECH convocaram atos unificados. Agora os dias 24 e 25 contar<span class="Apple-style-span" style="color: #000000;">ão </span>com trabalhadores e estudantes unidos tomando as ruas de Santiago. Serão dias decisivos.</p>
<p>E a ansiedade para eles só aumenta. Pelo menos a minha, a de vocês não? Digo isso porque se a população chilena consegue derrotar o seu governo e abrir um processo completamente novo em seu país, estou segura que todo o Cone Sul também será diferente. Torcemos pelos hermanos!</p>
<p>Abraço entusiasmado,<br />
Thalie</p>
<p>Em tempo, estou escrevendo com um teclado espanhol e em um word que traduz diretamente para esta língua, desculpem o portuñol ou alguns erros.</p>
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		<title>&#8220;Estudantes combatentes de ontem, hoje e amanhã. Com a memória viva e a esperança intacta. Juntos somos mais!&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Aug 2011 18:14:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nathalie Drumond</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ontem estive na ocupação da Universidade do Chile. Saindo do metrô próximo à U. Chile (eles aqui raramente dizem a palavra universidade, apenas colocam a letra U na frente dos nomes) percebi a situação de grande atividade política. A universidade está &#8230; <a href="http://diretodochile.juntos.org.br/estudantes-combatentes-de-ontem-hoje-e-amanha-com-a-memoria-viva-e-a-esperanca-intacta-juntos-somos-mais/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/frontis_cc_toma1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-56" title="frontis_cc_toma" src="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/frontis_cc_toma1-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a>Ontem estive na ocupação da Universidade do Chile. Saindo do metrô próximo à U. Chile (eles aqui raramente dizem a palavra universidade, apenas colocam a letra U na frente dos nomes) percebi a situação de grande atividade política. A universidade está ocupada desde o começo dos protestos e é a principal do ponto de vista das iniciativas de luta. Todos os cursos estão paralisados, professores e funcionários apoiam o movimento. As principais lideranças da CONFECH (Confederação Nacional dos Estudantes Chilenos), aquela presidida pela Camila Vallejos, são da U. Chile.</p>
<p>Na calçada havia muitas faixas, bandeiras, dizeres pintados nas paredes. O que mais me chamou a atenção dizia <em>&#8220;Estudantes combatentes de ontem, hoje e amanhã. Com a memória viva e a esperança intacta. Juntos somos mais!&#8221;. </em></p>
<p><em></em>Dentro da universidade muitas barracas, havia evidentemente um grande acampamento que mantinha ocupada a universidade. Gente de toda a sorte circulava por lá. Havia um festival de arte organizado pela <em>toma</em>, por sinal muito bem organizado, que atraía muita gente para dentro da universidade.</p>
<p>Logo entramos no principal auditório onde aconteceria a assembléia. Dos tempos de Allende, recuperou-se a proposta política de assembléias comunais. Em Santiago as comunas são como bairros e o movimento estudantil tenta impulsionar reuniões através das quais se organizaria todos os setores da população. Imaginem só vocês, esta proposta não parece uma loucura porque a situação política do país permite mesmo este tipo de organização. Dessa forma, tem ocorrido muitas assembléias pelo Chile que de fato reúnem diversos setores em luta.</p>
<p>Pude acompanhar por enquanto apenas uma, a da região central de Santiago que se reúne na U. Chile. A assembléia de ontem foi convocada para debater a proposta de plebiscito que está colocada como uma das principais iniciativas para tirar o movimento atualmente do impasse.</p>
<p>A luta da juventude passa por um momento de muita indefinição. Estão há três meses muito mobilizados, conquistaram o apoio da população, mas hojem vivem um grande dilema, pois se não avançarem correm o risco de retroceder. Até agora o o governo apresentou propostas irrisórias de mudanças na lei educacional que foram amplamente rechaçadas pelo movimento. Com a intransigência do governo, aprofundar o movimento e lograr conquistas aparece como principal dilema.</p>
<p>Estas próximas semanas serão decisivas para o desenrolar dos acontecimentos. Tive a impressão que a proposta de plebiscito popular é uma boa iniciativa para sair do impasse. Pode ser uma ferramenta que organize todos os setores e ajude a aprofundar o debate entre toda a população, possibilitando um maior enraizamento da política anti-Piñera. Se o plebiscito obtém um grande resultado coloca-se o parlamento e o governo contra a parede mais uma vez.</p>
<p>Portanto, esta é a principal proposta discutida neste momento pelos estudantes. Mas na assembleia pude perceber diferenças na defesa do plebiscito que, na verdade, são grandes diferenças em relação a como conduzir o movimento agora.</p>
<p>A JJCC &#8211; Juventude do Partido Comunista do Chile, mais conhecida como a Jota (Rota) possui as principais lideranças da CONFECH. Camila Vallejos é uma delas. A Jota tem uma política muito familiar para nós estudantes que militamos na UNE. Neste momento, como o conjunto dos estudantes das universidades públicas e privadas estão muito radicalizados, a Jota assumiu um discurso bastante de esquerda. No entanto, muitos me relataram que desde o começo os <em>comunistas </em>tentaram montar uma mesa de negociação com o governo para acertar alguns ganhos e por fim ao movimento. Porém, a maioria dos estudantes não confia em nada no governo direitista de Piñera e recusaram a ideia de negociar. Dessa forma, a Jota foi assumindo um discurso anti mesa de negociação, mas aparentemente tenta a todo o tempo colocar em prática esta proposta.</p>
<p>O caso do plebiscito é um deles. Há setores expressivos do movimento estudantil, dentre eles muitos independetes, que defendem que o plebiscito seja convocado pelas entidades estudantis e organizações sociais do povo, como a assembléia comunal. Já a Jota defende que o plebiscito seja oficial. E como este mecanismo não está pervisto na constituição chilena, eles acreditam que a primeira batalha do movimento deva ser por uma reforma política que inclua o plebiscito.</p>
<p>Os estudantes na assembléia, e muitos moradores também, argumentavam que é mais fácil derrubar o governo a conquistar dele um plebiscito oficial. No entanto, a Jota segue defendendo esta política sob um discurso radical de mobilização popular.</p>
<p>Minha impressão é que, na verdade, esta política nada mais é que a tão antiga proposta de negociação, pois transfere para o parlamento a agenda de debates acerca do plebiscito e retira do povo o principal instrumento de mobilização da população neste momento. Dessa forma, o próximo período se daria mais sob acordos entre os setores do parlamento e menos através da auto-organização política do povo. A política da Jota de apostar numa tática de avanço do movimento por dentro do regime estabelecido confunde muitos estudantes. O fato é que este regime é absolutamente controlado pelos aliados de Piñera e a oposição chapa branca da Concertácion, frente política que governou o Chile nos últimos vinte anos. Com esta correlação de forças é impossível obter conquistas que não sejam fruto da intensa luta política nas ruas e nas escolas. E da mobilização generalizada de toda a população.</p>
<p>Para semana que vem, nos dias 24 e 25, está prevista uma greve geral de todos os trabalhadores chilenos. Até lá acredito que muita água deve passar debaixo da ponte e este momento será decisivo para o desenrolar da luta chilena. Acompanharemos de perto e postaremos por aqui.</p>
<p>Saudações a todos,</p>
<p>Thalie</p>
<p><em>Pequena Nota -</em> Não poderia deixar sem registro a grande conquista da juventude de campinas que conjuntamente com a população conseguiu derrubar o prefeito Hélio, um dos maiores corruptos de nosso estado. A juventude chilena recebeu com muito enstusiamos a notícia. Além disso, soubemos que em Belém do Pará organizamos um bonito ato com cerca de 1000 pessoas contra a construção da usina de Belo Monte. Tenho certeza que a juventude brasileira segue os passos da juventude chilena e também tem tomado seu destino pelas mãos. Com muita alegria e orgulho, estamos Juntos!</p>
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		<title>O cacerolazo: estudantes secundários saem mais uma vez às ruas</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Aug 2011 16:59:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nathalie Drumond</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ontem à noite fazia muitíssimo frio. A baixa temperatura ficava ainda mais insuportável devido à umidade. Como havia chovido todo o dia, o frio penetrava na pele junto com as gotículas de orvalho que caía na noite. Era dolorido estar &#8230; <a href="http://diretodochile.juntos.org.br/o-cacerolazo-estudantes-secundarios-saem-mais-uma-vez-as-ruas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/282320_gd2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-50" title="282320_gd" src="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/282320_gd2-300x165.jpg" alt="" width="300" height="165" /></a>Ontem à noite fazia muitíssimo frio. A baixa temperatura ficava ainda mais insuportável devido à umidade. Como havia chovido todo o dia, o frio penetrava na pele junto com as gotículas de orvalho que caía na noite. Era dolorido estar na rua.</p>
<p>Decidimos sair por volta das 21h para acompanhar os panelaços que estavam convocados para os bairros. Estavámos alojados na casa de uma companheira estudante chilena que se localiza próxima ao bairro mais pobre de Santiago do Chile. Apesar de não lembrar em nada as favelas brasileiras, apelidaram-no de &#8220;Grand Favela&#8221;. Fomos acompanhar o cacerolazo deste bairro que também é o mais populoso de Santiago.</p>
<p>Pegamos o metrô de superfície, em a cada estação podia-se ouvir o barulho das panelas batendo. A população ia tomando as principais esquinas com suas panelas. Não eram tantos, já haviam tido panelaços maiores nas semanas anteriores &#8211; como me explicaram os companheiros &#8211; mas pelo frio que fazia , e também pela falta de referência semelhante no Brasil, fiquei impressionada.</p>
<p>No cacerolazo em Punte Alto não havia muitos trabalhadores, mas sim muitas crianças e adolescente. Ai consolidei minha grande surpresa neste país, as crianças e os jovens de até 15 anos são a linha de frente dos protestos. Jovenzinhos se punham a socar as panelas. Tentavam fechar as esquinas parando os carros com suas próprias mãos. Era uma rebeldia contagiante. Voltamos para casa uma hora depois, com o fim do cacerolazo.</p>
<p>Em casa, conheci Benjamin Flores sobrinho de Gabriela Montiglio, a companheira que está me hospedando no Chile. Um jovenzinho de 13 anos que até então era muito parecido com aqueles da mesma idade que conheço no Brasil. Estava diante do computador conversando no <em>msn</em> com seus amigos, pouco queria falar porque estava mais entretido com seu fone de ouvido. Vestia-se também de forma engraçada, calças coloridas, tênis espalhafatosos e longas franjas. Sim, no Chile o tipo R<em>estart</em> também é um sucesso.</p>
<p>Às seis da manhã fui acordada por Benjamin. Precisava pegar em meu quarto as suas botas. Havia um certo alvoroço da parte de sua mãe e avó. Logo percebi porque, Benjamin estava se preparando para ir ocupar mais um colégio secundário. Explicou-me que encontraria seus companheiros &#8211; sim, ele me disse assim &#8211; da mesma idade para tomar mais uma escola, que havia sido desocupada recentemente pela força policial.</p>
<p>Benjamin está longe de ser uma liderança estudantil, não é engajado em nenhuma organização política ou algo do tipo. Mas assim como tantos, é um daqueles que está diariamente lutando em defesa da educação chilena. Que acordam cedo para ocupar as escolas, que nas marchas montam as barricadas contra a força policial, que saem tarde da noite de casa para cacerolar. E no Chile de 2011, existem milhares de Benjamins.</p>
<p>São muitos mesmos, que cantam com orgulho que vão repetir de ano porque suas escolas estão ocupadas há três meses contra a Educação de Pinochet. Perguntei a Benjamin onde encontrava motivação para tanto, ele me respondeu que sua mãe e seu pai faziam o mesmo contra a ditadura e que agora é sua vez. Benjamin saiu entusiasmado, contando a todos como seria a tomada da escola de hoje. Sua vó beijou-o no rosto e desejou-lhe sorte. Ao fechar a porta o jovenzinho deixou para trás adultos cheios de orgulho e esperança.</p>
<p>por Thalie Drumond</p>
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		<title>70 mil guarda-chuvas e um impasse</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Aug 2011 11:40:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nathalie Drumond</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O sistema educacional chileno é, na verdade, uma enorme cadeia de endividamento geral da sociedade. As mães, pais e os próprios estudantes passam décadas pagando juros a bancos, muito depois de finalizarem seus estudos. por Joana Salém Vasconcelos Neste dia &#8230; <a href="http://diretodochile.juntos.org.br/70-mil-guarda-chuvas-e-um-impasse/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O sistema educacional chileno é, na verdade, uma enorme cadeia de endividamento geral da sociedade. As mães, pais e os próprios estudantes passam décadas pagando juros a bancos, muito depois de finalizarem seus estudos.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>por Joana Salém Vasconcelos</strong></p>
<p>Neste dia 18 de agosto ocorreu mais uma grande marcha em Santiago do Chile, convocada por professores, estudantes secundários e universitários, em defesa da gratuidade na educação pública chilena. Piñera encomendou chuva, e conseguiu neve! Nevou em Santiago durante 30 minutos, no bairro de Las Condes e Vitacura (os bairros mais ricos), enquanto a marcha prosseguia no centro da cidade, debaixo de muita água e de um vento polar. A sensação térmica foi de 3 graus.</p>
<p><a href="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/marcha-chile18.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-37" title="Marcha no Chile em 18 de agosto" src="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/marcha-chile18.jpg" alt="Marcha no Chile em 18 de agosto" width="285" height="208" /></a>Mesmo assim, 70 mil pessoas compareceram às ruas para demonstrar sua persistência de lutar por democracia real. Um oceano de guarda-chuvas. Menos faixas, e mais capas plásticas. Uma forte convicção presente: a educação gratuita é uma condição básica da democracia, e o povo chileno não vai desistir de conquistá-la. Igual, prossegue a intransigência brutal do presidente Piñera. Ontem, o Ministro da Educação, Felipe Bulnes, reafirmou a proposta do governo: fiscalizar o lucro, criar uma superintendência responsável pela fiscalização, ampliar bolsas, abaixar os juros. Leia-se: legalizar o lucro, criar um novo órgão burocrático para alojar mais um empresário da educação no governo, criar melhores condições de endividamento dos jovens chilenos. O impasse se aprofunda.</p>
<h3>O Financiamento das Universidades</h3>
<p>Atualmente, 40% dos estudantes universitários chilenos já não podem pagar suas dívidas. Baixar os juros, afinal, é uma medida necessária para permitir que o endividamento ocorra em condições favoráveis ao credor, do contrário serão dezenas de milhares de moratórias. <a href="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/chile-patriaeducacion.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-38" title="Patria es Educación" src="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/chile-patriaeducacion.jpg" alt="Patria es Educación" width="285" height="160" /></a>O sistema de financiamento estatal da universidade chilena é feito de dois modos: direto e indireto. O aporte financeiro direto é o dinheiro que o Estado repassa diretamente às universidades públicas. Esse dinheiro, contudo, representa somente de 30 a 40% do orçamento necessário destas universidades. O resto é “autofinanciado”, ou seja, financiado pelos estudantes. Já o aporte indireto é fornecido pelo Estado para as universidades públicas e privadas, a partir do critério de mérito dos estudantes. São 200 mil estudantes que realizam uma prova nacional, e destes somente os primeiros 27.500 (13%) receberão o aporte. Mas ele é indireto, porque o Estado entrega o dinheiro à universidade, e não diretamente ao estudante. Deste aporte indireto, cerca de 70% se direciona para as universidades públicas e 30% para universidades privadas, que não tem nenhum compromisso de transparência administrativa. O governo Chileno gasta aproximadamente 0,6% do PIB com ensino superior público. Já com educação em geral, somando todos os níveis, gasta cerca de 4% do PIB.</p>
<h3>O que é a municipalização da educação no Chile?</h3>
<p>A situação é ainda mais injusta com o sistema de municipalização da educação básica, vigente desde 1981. <em>Municipalidad</em>, no Chile, corresponde a bairro. Isso significa que cada bairro é uma unidade orçamentária que financia a educação de um pequeno local. Os bairros de classe alta possuem vastos recursos e pouca demanda de serviços públicos, enquanto os bairros de periferia possuem poucos recursos e uma altíssima demanda destes serviços. A reprodução da desigualdade social, e seu aprofundamento, é perfeitamente garantido por esse sistema, que faz com que nenhum centavo dos ricos circule fora de seus bairros. Ao mesmo tempo, os bairros pobres ficam abandonados à própria sorte, e os professores tem que se virar com recursos escassos para ensinar.</p>
<h3>O impasse</h3>
<p>A desigualdade educacional chilena chegou ao seu limite. Os secundaristas cantam nas marchas: <em>“Voy repetir, voy repetir!”</em>. Estão dispostos a perder o ano para não pagar mais pela educação. Isso pode significar um colapso parcial do sistema educacional chileno no próximo ano: não haverá novos alunos no ensino médio.</p>
<p>O presidente Piñera é comprometido intensamente com os setores do empresariado da educação, que mais lucram com o atual sistema. Além disso, por suas origens ideológicas comuns com Pinochet, sua postura intransigente é absoluta. Inábil e ditatorial. Não vai ceder, e ponto.</p>
<p>O impasse a que se chega, então é esse: um governo incapaz de avançar um passo na direção das demandas da sociedade; uma sociedade mobilizada, persistente e convicta, que tampouco vai sair das ruas enquanto não receber uma resposta efetiva de mudança. Só resta saber quanto tempo essa corda será tensionada sem arrebentar. A boa notícia é que a sociedade chilena tem a possibilidade de reconquistar a democracia, que desde 1991 está limitada ao direito de votar.</p>
<h3>Fonte dos dados de educação</h3>
<ul>
<li><a href="http://www.dipres.gob.cl/572/articles-21669_doc_pdf.pdf">¿Cómo se Financia la Educación en Chile?</a></li>
<li><a href="http://books.google.cl/books?id=_JaATUK0DU8C&amp;pg=PA125&amp;dq=CHILE+cuanto+%25+presupuesto+universidades+es+aporte+financiero+directo?&amp;hl=en&amp;ei=749NTpU4ifbSAbOlzI8L&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=1&amp;ved=0CCsQ6AEwAA#v=onepage&amp;q&amp;f=false">Informe sobre la educación superior en Chile, 1980-2003</a></li>
</ul>
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		<title>Primeiras horas no Chile: uma Marcha com 100 mil</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 21:16:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nathalie Drumond</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Primeiro post, sempre mais difícil começar. Mas para este blog não há muito segredo, ele será uma espécie de diário de bordo da estada no Chile e do rumo das mobilizações. Trataremos de política, não apenas daquela dos profissionais de &#8230; <a href="http://diretodochile.juntos.org.br/primeiras-horas-no-chile-uma-marcha-com-100-mil/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/chile_estud8.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-19" title="chile_estud8" src="http://diretodochile.juntos.org.br/wp-content/uploads/2011/08/chile_estud8.jpg" alt="Milhares marcham sob a chuva em Santiago do Chile" width="285" height="190" /></a>Primeiro post, sempre mais difícil começar. Mas para este blog não há muito segredo, ele será uma espécie de diário de bordo da estada no Chile e do rumo das mobilizações. Trataremos de política, não apenas daquela dos profissionais de gabinete, mas principalmente de uma nova forma de se fazer política que tem despontado neste último período. É sobre a política que move mulheres e homens a tomar as ruas e as praças pelo mundo que trataremos aqui, mais especificamente daquela que está sendo criada e recriada com as mobilizações do Chile. Inspirada pelos dizeres dos niños ao longo da marcha de hoje &#8220;que se perca o ano letivo, mas não se deixe passar a educação de Pinochet&#8221;. Já basta! É tempo de construir o novo e ele está em nossas mãos.</p>
<p>_______________________________________________________________________</p>
<p>Desembarquei em Santiago do Chile por volta das 10h da manhã, às 11h já estava na marcha convocada na praça Los Heroes. Eram dezenas de milhares de pessoas, quase uma centena.</p>
<p>Caía uma chuva forte e a sensação térmica era de 3 graus. Os trabalhadores do transporte organizavam uma paralisação no mesmo dia. Havia poucos ônibus nas ruas.</p>
<p>E mesmo assim via-se muitas crianças, adolescentes, jovens, senhores, senhoras. Todos empunhando pequenos cartazes de solidariedade ou portando faixas apresentando as reivindicaçoes. A luta em defesa da educação pública é histórica no Chile. Mas é a primeira vez desde a ditadura militar que se tem um processo tão massivo. Em outros anos os estudantes secundários, Los Pinguinos, haviam organizado expressivas manifestações. Mas este ano é diferente. Estão nas ruas também os universitários e toda sorte de gente que se solidariza com a causa estudantil. É diferente também não apenas pelo cenário chileno, cujo governo de Piñera conta com mais de 60% de rechaço, mas pela própria situação mundial. Na marcha via-se algumas bandeiras do Egito. Imagino que tais bandeiras carregam para estas pessoas o símbolo da luta daqueles que tomaram seus destinos pelas mãos.</p>
<p>Sem dúvida, esta também é a principal lição que os chilenos estão dando. Estão saindo às ruas há mais de três meses contra um modelo educacional privatista, por uma educação pública, verdadeiramente gratuita, de qualidade e acessível a todos. E mesmo com a repressão, com a chuva e com a intransigência do governo não se deixam abater. Seguem firmes passo a passo, aguardando o passo atrás do governo.</p>
<p>Após a marcha os jornais noticiavam &#8220;chilenos vencem a chuva e impõem mais uma derrota ao sistema&#8221;.</p>
<p>A marcha terminou bem, sem enfrentamento com a polícia, apesar das provocações e do tremendo aparato de guerra que o Estado mobiliza para intimidar as mobilizações.</p>
<p>Para às 20h está previsto um panelaço, hora em que os trabalhadores podem sair às ruas manifestar também sua solidariedade. Aguardem mais notícias.</p>
<p>Saudações desde o Chile e até breve.</p>
<p>Thalie</p>
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		<title>Vídeo do Juntos! no Chile</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 02:43:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nathalie Drumond</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[O Juntos!, com suas correspondentes Joana Salém e Fernanda Melchionna direto do Chile, traz um panorama da situação e das causas da luta dos estudantes chilenos: (YouTube) Avante Pinguinos!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Juntos!, com suas correspondentes Joana Salém e Fernanda Melchionna direto do Chile, traz um panorama da situação e das causas da luta dos estudantes chilenos:</p>
<p><iframe width="560" height="345" src="http://www.youtube.com/embed/gdPZ5qKfdyE" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<small><a href="http://www.youtube.com/watch?v=gdPZ5qKfdyE">(YouTube)</a></small></p>
<p><strong>Avante Pinguinos!</strong></p>
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